Jean Nicot: O diplomata estudioso que apresentou o tabaco para a França

Jean Nicot foi um estudioso e diplomata francês que recebeu o crédito pela introdução da folha de tabaco como remédio universal para doenças na França durante o século XVI. A popularidade inicial do tabaco na Europa foi baseada principalmente nas supostas propriedades médicas da planta, e não no uso recreativo, e Jean Nicot foi um forte defensor dessa crença. Uma variedade de fontes apresenta relatos diferentes dos experimentos com Nicot e seus resultados subsequentes, mas geralmente concorda que ele é o primeiro responsável por introduzir o tabaco na França, principalmente na forma de tabaco para rapé.

Jean Nicot apresentando a planta do tabaco à rainha Catarina de Medicis e ao Grande Prior da Casa de Lorena, 1655

A primeira interação de Nicot com o tabaco foi durante seu mandato como embaixador francês em Portugal, quando viu a planta crescer nos jardins reais de Lisboa. Ele supostamente aprendeu que os nativos americanos acreditavam que o tabaco tinha poder de cura (embora algumas fontes afirmem o filósofo humanista português Damião de Góis tenha ensinado a Nicot sobre os usos medicinais do tabaco). Segundo um relato, Nicot decidiu experimentar depois que seu cozinheiro cortou o polegar com uma faca de cozinha. Nicot embrulhou o corte com folhas frescas de tabaco e ficou surpreso e intrigado quando a ferida cicatrizou. Outras histórias afirmam que Nicot aplicou folhas de tabaco na grave irritação da pele do rosto de uma moça e em um homem que experimentava fortes dores no pé, eventualmente curando as duas aflições.

Jean Nicot

Jean continuou seus experimentos medicinais com tabaco, retornando à França por volta de 1561 para relatar suas descobertas à rainha Catarina de Médicis. Um dia, Nicot teria praticado suas teorias com a própria rainha quando estava com uma forte dor de cabeça, sugerindo que ela cheirasse um pouco de pó que ele esmagara das folhas secas de tabaco. A rainha aceitou, pegou uma pitada de pó e colocou na narina, fazendo-a espirrar várias vezes, mas sua dor de cabeça visivelmente melhorou.

 

Embora o uso do rapé tenha se tornado moda rapidamente, era usado principalmente para fins medicinais, normalmente disponíveis para compra em farmácias locais. Ao longo dos anos, o rapé tornou-se popular para uso recreativo, muitas pessoas favorecendo-o por seus efeitos estimulantes. O fumo acabou se tornando o método mais popular de consumo de tabaco, embora o rapé ainda mantivesse uma reputação favorável.

 

Nicot finalmente se aposentou e viveu seus últimos anos perto da vila de Brie-Comte-Robert, localizada no centro-norte da França, em um pedaço de terra que recebeu como reconhecimento pelo seu serviço à corte real francesa. Foi lá que ele também compilou notavelmente um dos primeiros dicionários franceses antes de falecer em 1604. Seu legado foi comemorado em meados do século 18 quando o botânico sueco Carl Linnaeus nomeou a planta de tabaco ‘nicotiana’ em reconhecimento aos esforços de Jean Nicot na promoção do uso geral da planta.

Caixa de rapé de madeira, França, 1801-1830

 

Traduzido por: J C Pereira                                      Original: https://tinyurl.com/jean-nicot

 




Experimente Tudo Duas Vezes

“Não desista antes de tentar.”

Eu ouvia essa advertência regularmente quando criança, principalmente quando se tratava de comida. Sentado à mesa do jantar, um prato estranho me encarava.

– “Eu não gosto disso”, eu dizia.

– “Você já provou isso antes?” minha mãe respondia.

– “Não.”

– “Bem, então não desista antes de tentar.”

Foi-me permitido não gostar de algo, mas era necessário que eu experimentasse primeiro e só validasse minha opinião depois disso. É claro que raramente se mostraram corretas minhas suposições pré-concebidas e muitas vezes fui recebido com sabores deliciosos, positivamente surpreendido por comidas deliciosas que eu primeiramente presumi que não eram comestíveis – com base em julgamento visual.

Tal criação, naturalmente, se espalhou para a maneira como abordo outros aspectos da vida, além da comida. Vou experimentar qualquer coisa pelo menos uma vez … racionalmente.

A sabedoria se traduz bem em fumar cachimbo e experimentar tabacos diferentes, mesmo aplicando-se a misturas individuais. Nem todas as MI’s apresentam o mesmo perfil de sabor, variando nas proporções de seus vários componentes; virgínias são diferentes e mudam de perfil, dependendo da adição de outros componentes.

Eu pessoalmente achei isso verdade com misturas de burley. Depois de experimentar algumas misturas diferentes, pensei que não gostava do burley, muitas vezes recusando um fornilho quando oferecia uma mistura à base de burley. Eu mudei de opinião depois de experimentar o Irish Flake da Peterson. Composto por folhas de burley, dark-fired kentucky e virgínia, o flake me surpreendeu e acabou com meu preconceito de tabacos baseados em burley.

Às vezes, não basta experimentar algo apenas uma vez.

A mente aberta ao tentar uma nova mistura de tabaco é virtuosa; no entanto, uma única amostra geralmente não é suficiente para formar uma opinião substancial. Às vezes você tem que experimentar o tabaco duas (nota do tradutor: ou mais) vezes antes de realmente saber se gosta ou não.

Inúmeros fatores afetam a maneira como o paladar de alguém “recebe” uma mistura: humor, tabacos fumados anteriormente naquele dia, refeições anteriores etc. Por isso, aprendi que é melhor não tentar tudo uma vez, mas tentar tudo duas vezes.

Minha experiência com misturas de folhas de charuto ajudou a formar essa mentalidade. Por exemplo, quando experimentei a The Haunting, lançado recentemente pela Warped, fiquei desapontado. Eu não tinha certeza do que esperar antes de fumar, e quando acendi um fornilho, o sabor me surpreendeu. Era muito diferente de qualquer coisa que eu tivesse fumado antes e percebi que seu perfil de sabor não era o que eu queria fumar naquele momento.

Felizmente, eu não julguei a mistura como um todo com base nesse primeiro fornilho. Em vez de descartá-lo completamente e doar a lata, deixei-o de lado, arquivando minhas impressões sobre o sabor de quando estava com disposição para esse perfil.

 

No dia seguinte, voltei para a lata e, agora, sabendo o que esperar, adorei o sabor arrojado e único e a rica mistura de virgínias de qualidade e folhas de charutos dominicanos. Eu tentei uma vez, mas foi apenas na segunda tentativa que eu realmente apreciei. Estou feliz por ter dado uma segunda chance.

Nossos paladares e gostos são inconstantes e sensíveis, e devem ser atendidos com delicadeza. Às vezes, experimentamos algo novo e gostamos imediatamente. Muitas vezes, porém, nossos paladares devem ter paciência e tempo para se adaptarem à novos sabores.

Quem gosta de café, cerveja, gim, bourbon – você se apaixonou no primeiro gole? Talvez sim, mas tenho certeza de que muitos de nós não, em vez disso, desenvolvemos um gosto por cada uma dessas bebidas ao longo do tempo.

Em um tour por uma destilaria de bourbon em Louisville, Kentucky, essa mentalidade de “experimente tudo duas vezes” se manteve verdadeira novamente. Durante o passeio, recebemos amostras da versão pré-barril do licor duas vezes destilado, geralmente chamado de “high wine” ou “white dog”. O guia nos avisou no primeiro gole, advertindo-nos a não julgar o elixir “de bate e pronto”.

– “Isso vai chocar seu paladar, e não será particularmente agradável. Mas espere, a bebida está preparando você para a segunda tentativa.”

Conforme avisado, o primeiro gole ardeu e foi marcado apenas por um forte sabor alcoólico. O segundo, no entanto, produziu uma doçura profunda, à base de milho, nada desagradável.

É como se nossos paladares tivessem memória, e quanto mais eles lembram sabores, mais capazes e flexíveis são de ajustar e adaptar, os sabores se tornam mais fáceis de apreciar e mais agradáveis. Isso vale para comida, bebida e, é claro, tabaco para cachimbo.

Nosso gosto se aprofunda e cresce à medida que continuamos no hobby do cachimbo. Nossos paladares se tornam mais exigentes e sábios, captando nuances sutis de sabor que não sabíamos que existiam. Experimente tudo uma vez, com certeza; mas mesmo que não seja particularmente agradável da primeira vez, dê uma segunda chance à mistura e tente novamente.

 

Traduzido por J. C. Pereira

(Nota do tradutor: minha experiência foi com o Semmois; quis doar o bulk, mas tentei outras vezes e hoje se tornou no tabaco matinal favorito para acompanhar uma xícara grande de café preto amargo.)

 

Original por Truett Smith em: https://bit.ly/373epCK