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Coluna do Balkan, Histórias

Breve apanhado histórico do surgimento das Misturas da Dunhill

Em 1907, quando Alfred Dunhill abriu sua tabacaria em Duke Street, Londres, ele ainda não fabricava e nem negociava cachimbos em briar de sua própria fabricação. Em 1905 Alfred Dunhill registrou a patente de invenção de um cachimbo em briar com uma espécie de quebra-vento frontal, mas que não foi produzido por ele. Aqueles foram os anos da Dunhill’s Motorities e do início das Dunhill’s Patents, mas isso é uma história que fica para uma outra vez.

O principal objetivo da loja de Alfred Dunhill, em cuja fachada se lia “Tobacco Specialist”, era vender seus “bespoke tobacco blends” (N.A.: misturas sob medida de tabacos) a granel.

A fachada da primeira loja Dunhill, em Duke Street, ao redor do ano de 1920.

Como tantas outras tabacarias inglesas daquela época, a Alfred Dunhill Ltd. queria atrair compradores abastados que pudessem pagar por sofisticados serviços personalizados. Para isso, entre muitos outros produtos e artigos para fumantes, Alfred Dunhill criou as “My Mixture”.

A composição de cada uma das exclusivas “My Mixture” que Alfred Dunhill criava para seus seletos clientes se originava de conversas privadas em que ele deduzia o que cada um deles esperava de uma boa cachimbada. Dunhill, então, pesava um punhado de um tabaco aqui, uma pitada daquele outro lá e mais um punhado daquele outro acolá, misturava tudo cuidadosamente à mão e, pronto, mais um cliente satisfeito e mais uma receita anotada no “My Mixture Book”.


Alfred Dunhill exercendo sua arte.

Assim se iniciou a vertiginosa carreira do talvez mais famoso blender conhecido. Mas seus apreciadíssimos flakes, plugs, rolls em embalagens lacradas ainda estavam por vir. O estrondoso sucesso de Alfred Dunhill deveu-se à sua perspicácia, ao seu imenso bom gosto, à sua sensibilidade, a seu obsessivo perfeccionismo e, claro, a tabacos de muito boa qualidade que ele obtinha tanto de um importador escocês como de uma cooperativa londrina.

Um dos My Mixture Book.

Ao longo de sua trajetória à frente dos negócios da empresa, Alfred Dunhill criou centenas misturas sob medida, todas elas anotadas no famoso livro de receitas que com o passar dos anos tomou vários volumes.

Por volta de 1910 Alfred Dunhill decidiu mudar o perfil de seu negócio, publicou um catálogo e passou a atender seus clientes também por correio. São dessa época os cachimbos em briar produzidos pela própria Dunhill. Antes disto, desde 1908, a loja vendia cachimbos com a marca Dunhill que eram produzidos por uma empresa de titularidade de um imigrante russo de sobrenome Charatan. Dunhill procurou Charatan porque não se satisfazia com a qualidade dos cachimbos que ele mandava produzir na França, mas a Dunhill acabou deixando de trabalhar com a Charatan não por questões de qualidade, como afirma a empresa, mas, como afirmam seus biógrafos, porque os preços pedidos pela Charatan eram tão altos que não davam à Dunhill a possibilidade de obter as margens pretendidas. Alfred Dunhill, então, resolveu iniciar sua própria linha de produção de cachimbos, mas os cachimbos com o padrão de qualidade que aprendemos a apreciar só nasceriam depois de Alfred Dunhill “roubar” de Charatan dois de seus melhores artesãos, além de “importar” de Saint-Claude um administrador de fábrica. Um dos dois artesãos “roubados” chamava-se Joel Sasieni.

Preparar uma boa mistura de tabacos vai muito além do que apenas selecionar, dosar e mesclar componentes. Só isto realmente não basta. A produção de uma mistura sofisticada como as que Alfred Dunhill desejava produzir exigia operações como envelhecer componentes ou a mistura como um todo, estufar, tostar, cozinhar a vapor, prensar a frio ou a quente e etc., coisas que simplesmente não havia como realizar às pressas no balcão, à vista do cliente. Assim, em 1912 Alfred Dunhil lançou suas três primeiras misturas mais sofisticadas, vendidas já embaladas, bem mais elaboradas que as suas iniciais “My Mixture” de balcão. Foram a “Royal Yacht”, a “Durbar” e a “Cuba” (O nome Cuba era uma alusão à presença marcante de folhas de charutos nos componentes da mistura que, de fato, vinham de Cuba, da fábrica La Corona).

Catálogo da Dunhill, de 1928.

Nos anos seguintes seu catálogo passou a exibir uma ampla gama de misturas, das quais cito duas de alguns grupos, a título de curiosidade:

Virgínias Especialmente Amadurecidos

Royal Yacht (de 1912): Era constituída somente por Virginias cultivados ao abrigo parcial da insolação, dando à fumada um caráter muito suave. Em 1917 receberam o acréscimo de folhas de Lemon Virginia e Bronze Virginia cuidadosamente processadas. A partir dos anos 1980 uma cobertura (um top flavouring) com aroma exótico de ameixas foi adicionada à mistura. Esse topping foi retirado das versões contemporâneas.

My Mixture 288 (de 1910): Virgínias longamente amadurecidos e mantidos prensados entre pranchas de carvalho durante alguns meses, dando uma fumada extremamente leve, suave e doce, cujo sabor “tantos buscam e nunca encontram” em outras misturas (slogan criado pelo próprio Alfred Dunhilll). A 288 era também apresentada em outros cortes, que recebiam outros números “My Mixture”.

Virgínias Comuns

My Mixture 36 (de 1917): Praticamente um shag, uma complexa composição extraordinariamente aveludada de Virgínias voltada a apreciadores da queima de cortes finos.

My Mixture 190 (de 1910): De corte estreito (ainda assim mais largo do que o da My Mixture 36), porém de queima lenta, de sabor suave e de aroma delicado, ideal para quem não aprecia misturas intensas.

Misturas contendo Orientais

Durbar (de 1912): Concebida para fascinar e acalmar o fumante, inteiramente produzida com tabacos de “força” média ou suave, composta por Virgínias, Latakia e elevadas proporções de Orientais escuros.

My Mixture 850 (de 1910): Uma mistura agradavelmente equilibrada, composta exclusivamente por Virgínias e Orientais raros, era suave e de queima bastante lenta. A partir de 1917 passou a conter uma porcentagem mínima de Latakia (N.A.: creio que Alfred Henry Dunhil usou a My Mixture 850 de 1917 como ponto de partida para criar a Early Morning Pipe).

Misturas contendo Latakia

My Mixture 10 (de 1910): Uma mistura plena de corpo e de sabor, de queima lenta, com elevadas proporções de Cavendish e Latakia sírio, completadas por Virgínia e Oriental.

My Mixture 965 (de 1910): Uma variante da My Mixture 73 com menor quantidade de Latakia, de sabor rico e aroma muito agradável, de queima lenta, composta por um blend de Latakias sírio e cipriota, Brown Cavendish e Orientais de cor clara originários da Macedônia.

Os anos seguintes, os da 1ª Grande Guerra, assistiram o surgimento da tendência de batizar as misturas com nomes ao invés de números. Assim nasceram a “Ye Old Signe” e a “Harmony”, logo seguidas pelas “Campaign Mixture”, “Campaign Plug” e “Best Scotch Thick Black Twist” (As três últimas foram produtos criados exclusivamente para a força expedicionária britânica da 1ª Grande Guerra, tinham custo bastante reduzido e, por isto mesmo, foram descontinuados logo após o encerramento dos combates).

Em 1923 são lançadas as “Standard Mixture” nas versões Mild, Medium e Full, a “Prince of Wales” e a Three Year Matured. Em 1928 entra em cena a London Mixture, que era, então, uma feliz combinação de Latakia e Cavendish, ou melhor, era uma variante abrandada da My Mixture 10.

A história das misturas da Dunhill é riquíssima, longa e interessante, poderíamos esmiuçar toda a diversidade de seus detalhes, desde seu início até os dias atuais, mas aí estaríamos fugindo do escopo deste apanhado.

Para encerrar eu gostaria de dizer que Alfred Dunhill retirou-se dos negócios em 1929 e que faleceu em 1959, aos 86 anos de idade. Ao afastar-se da empresa deixou em seu lugar seu filho Alfred Henry Dunhill, acompanhado de dois de seus irmãos. A tradição de excelência continuou.

Redigido por Balkan, exclusivamente para o Cachimbos”.

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